Videoconferência sobre a Depressão promove debate simultâneo entre as unidades

Saúde

“Melancolia” era o nome usado para descrever o que ninguém sabia que viria a ser considerada como a doença do século: a “DEPRESSÃO”.  E hoje (07), dia em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu início a uma campanha sobre depressão, doença que afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida.

Essa campanha foi abraçada pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia, através da Superintendência de Ressocialização Sustentável/ Coordenação de Saúde da pasta, que desenvolveu hoje, no Instituto Anísio Teixeira, uma Videoconferência sobre a Atenção à Depressão: diálogos e articulações, com Pólos de transmissão nas unidades prisionais do interior.

As palestras foram ministradas pela psicóloga da secretaria, Odilza Lines, e pela psiquiatra do Hospital Geral Roberto Santos, Dra. Fernanda Correia, que debateram com os servidores da Seap, tanto da capital quanto do interior, sobre a importância do tratamento adequado e do diagnóstico precoce em internos e servidores do sistema penitenciário.

O número de pessoas que vivem com depressão, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. E no sistema carcerário, os índices da doença também tem aumentado consideravelmente.

Segundo a coordenadora de Saúde da Seap, Conceição Sodré, vários casos de depressão são registrados em internos do sistema prisional. E por isso, as Unidades de Saúde do sistema prisional possuem psicólogos que se encubem de acompanhar os internos, e quando necessitam de medicação psicotrópica, eles são acompanhados por médicos psiquiatras.

De acordo com a Dra. Fernanda Correia a depressão é uma doença grave e em muitas vezes é descoberta num estado bastante avançado. Para ela, a intervenção precoce é mais do que necessária para abrandar esse aumento. Quando questionada sobre esse aumento de casos dentro do sistema prisional, a psiquiatra explicou que, o fato do indivíduo estar exposto a estressores, consequentemente está relacionado ao aparecimento dos sintomas pois se ele já existe torna-se agudo quando o indivíduo fica recluso. “Por isso, é tão importante que os servidores das Unidades de Saúde das unidades prisionais estejam alertas para diagnosticar a doença e fazer o acompanhamento necessário”, destacou.  

Na opinião da psicóloga Odilza Lines esse momento de discussão, trazido através da videoconferência, é importantíssimo para o sistema como um todo porque, tantos os internos quanto os profissionais do sistema carcerário.

A psicóloga destacou a existência de dois tipos de depressão: a reativa e a estrutural. A reativa, que é a mais frequente, é desenvolvida por pessoas que entram no sistema pela primeira vez e tem dificuldade de lidar com a mudança de vida. Enquanto que a segunda, se desenvolve nas pessoas que já possuem a doença quando entram no sistema os sintomas se tornam agudos.

A psiquiatra Fernanda Correia alerta que, no caso de não tratamento, a doença pode ter como pior resultado o suicídio. Segundo a OMS, a cada 100 casos de depressão no mundo, 15 cometem suicídio e isso caracteriza ela como uma das principais causas suicida que  infelizmente está assombrando o mundo nos últimos tempos.

A iniciativa, de hoje, da Seap defende que, com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação os índices de suicídio podem reduzir. E quanto mais cedo for descoberta, mais fácil de tratar a doença. 

O agente penitenciário, Otair Carvalho, agradeceu a oportunidade. "Os que não puderam comparecer, perderam excelente oportunidade para conhecer mais e refletir sobre esse tema que é tão presente no cotidiano de nosso trabalho", declarou .

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