Secretário Nestor Duarte recebe comenda Dois de Julho

Diversos

A Assembleia Legislativa condecorou o secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização, Nestor Duarte Neto, com a Comenda 2 de Julho. A honraria foi proposta pelo deputado Nelson Leal (PSL) e foi outorgada ontem, em sessão especial bastante concorrida, que antecedeu o lançamento dos livros “Gado Humano”, escrito em 1936 pelo avô do homenageado, Nestor Duarte; e “Nestor Duarte – Paladino da Liberdade”, escrito pelo jornalista Biaggio Talento para a coleção Gente da Bahia. 

Ao iniciar o discurso de saudação, Nelson Leal afirmou ter dificuldades em traduzir em palavras toda a emoção do momento. “No exercício do seu mister, o secretário Nestor Duarte tem demonstrado desvelo, total dedicação, desprendimento e determinação – além de se constituir em um exemplo de probidade e dignidade no exercício dos cargos públicos que exerceu”, disse, ressaltando que “o homem público não se distingue pela cor da pele, pelas vestes, nem pelo dinheiro, mas pelo caráter”. Leal lembrou que o homenageado tem “inestimáveis serviços prestados à Bahia e ao Brasil”. 

Nestor Duarte exerceu dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa (1978 e 1982), elegendo-se em seguida deputado federal constituinte. Ele renovou o mandato federal nas duas eleições seguintes. Sua atuação no Parlamento sempre foi de destaque, tendo sido líder do PMDB, durante a Assembleia Nacional Constituinte. Exerceu diversas funções públicas, como a de secretário municipal de Transporte e Infraestrutura, durante a administração do prefeito João Henrique, além de ter uma vida partidária dedicada, já tendo sido presidente do PMDB e do PSDB no estado. Atualmente está filiado ao PSL. 

Classificando Duarte como um dos “melhores amigos de caminhada na vida política e pessoal”, o presidente Marcelo Nilo preferiu fazer um pronunciamento lido para não ser impelido nem tolhido pela emoção. “Posso afirmar, sem qualquer exagero, que poucos baianos de sua geração tem o mesmo cabedal de serviços prestados à Bahia, pois mesmo fora do exercício de mandato ou função pública, jamais se afastou da vida partidária e da política de nossa terra”, disse. Para ele, o homenageado nunca se omitiu “nos momentos mais graves vividos pela Bahia e pelos baianos, sendo sempre uma voz prudente e conscienciosa, colocando, acima dos seus, os interesses de nossa terra e de nossa gente”. 

O evento, como não poderia deixar de ser, se converteu em uma louvação não só ao secretário como à história política de seu pai, Marcelo Duarte; e do avô, Nestor Duarte. Tanto Nilo quanto Leal dedicaram boa parte dos seus pronunciamentos a ambos. “Pertence a uma família de homens públicos notáveis”, disse Nilo, ao afirmar que a “honradez, seriedade, dedicação e competência”, são legados do avô e do pai para o homenageado. 

O próprio Duarte, em seu discurso de agradecimento, teve dois momentos de grande emoção, sendo auxiliado pelos aplausos do plenário ao ver sua voz embargada: ao citar o “saudoso avô e o pai”, que não pôde comparecer por questões de saúde; e ao falar da esposa Verônica, “minha companheira na vida, com quem espero viver até meus últimos dias”, e dos filhos, genro e neto, além do irmão Márcio. Ele relembrou que chegou à Casa para o primeiro mandato, “ainda no verdor dos meus 23 anos”. 

“Datam daqueles tempos (e recordo com viva alegria e rematado orgulho, as intervenções exitosas que pude fazer em favor dos municípios que representava, materializadas  pela edificação de escolas, equipamentos de saúde, construção de estradas, redes de energia, abastecimento de água”, disse, citando ainda uma lista de ações que promoveu a exemplo destas. Ele lamentou que sua vida parlamentar tenha sido estancada “pela perseguição política atroz que não se pejou em me alvejar pela fraude eleitoral, como de notória sabença, por divergir da malsã dominação política de então”. 

A Mesa dos Trabalhos foi composta por Nilo, Duarte e Leal, além do secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa; procurador geral de Justiça, Paulo Moreno; desembargadora Maria das Graças Leal; subprocurador geral da República, Augusto Aras; procuradora geral de Justiça adjunta, Sara Mandra; vereador José Trindade, defensora pública Fabíola Menezes, comandante geral da Polícia Militar, Anselmo Brandão; João Henrique, ex-prefeito de Salvador Thomas Bacelar, ex-presidente da OAB-BA; Joaci Góes, da Academia de Letras da Bahia, e Paulo Maracajá, ex-presidente do TCE. No plenário se pôde distinguir dezenas de deputados estaduais, além de personalidades da vida pública como o ex-senador Luiz Viana Netto. 

Biografia resgata trajetória do paladino da liberdade 

Após o encerramento dos trabalhos em plenário, a homenagem ao secretário Nestor Duarte Neto prosseguiu no salão contíguo, onde ele recebeu os cumprimentos e participou do lançamento de dois livros relacionados ao seu avô. Na ocasião, foi realizado o lançamento de “Nestor Duarte – o Paladino da Liberdade”, que integra a coleção “Gente da Bahia”, instituída na gestão do presidente Marcelo Nilo para resgatar a memória de baianos ilustres.  Escrito pelo jornalista Biaggio Talento, a obra contém um perfil biográfico do homem ilustre que foi o avô do secretário de Ressocialização da Bahia. Jornalista por profissão, historiador por paixão, ele já escreveu outras obras publicadas pelas Edições Alba. Em parceria com a esposa Helenita, lançou o livro (também fotográfico) “Igrejas e Capelinhas”, que trata de capelas existentes em Salvador. E, também, junto com Luiz Alberto Couceiro, um perfil do antropólogo Edison Carneiro também para a coleção “Gente da Bahia”. 

 

Títulos

Ilustrado com fotografias de época, o trabalho de Biaggio Talento apresenta para as novas gerações o professor, jurista, acadêmico, escritor e político que na primeira quadra do século passado junto de outros baianos de escol como Simões Filho (e um pouco depois Josaphat Marinho) se insurgiu contra desmandos da União contra o estado de Direito. Por suas convicções ele chegou a ser preso e teve a atuação marcada pela indelével campanha Autonomista. Além dessa obra inédita, a Assembleia Legislativa resgatou um título de Nestor Duarte, com a primeira edição lançada em 1936 e há 30 anos fora das livrarias, só sendo encontrado em sebos a preços proibitivos. “Gado Humano” é um romance regionalista, com preocupação social, que faz uma denúncia sobre a situação do sertanejo, mas com alta qualidade literária. A apresentação original de Carlos Chiacchio foi reproduzida nesta edição, bem como de Paulo Gaudenzi, na edição seguinte do Conselho de Cultura da Bahia. O livro de 186 páginas foi ilustrado com trabalhos da artista plástica Daniela Steele, a partir da capa que ela criou especialmente para esta edição e o projeto gráfico é do designer gráfico Tamir Drummond.